Já falamos aqui na semana passada da autonomia dos conselhos escolares e da maneira democrática como eles são compostos nos Estados Unidos. Sua independência em relação aos governos municipais e estaduais impressiona a nós, que estamos acostumados a uma hierarquia que coloca prefeitos e governadores como mandatários superpoderosos. Depois de nosso interesse no funcionamento desses conselhos pedimos para visitar escolas públicas e os próprios conselhos que, de forma autônoma, administram os distritos escolares.

Onde um diretor de escola é mais importante que um governador

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Legenda: Daniel ao lado de conselheiros escolares, na sala em que se reúnem.

A primeira coisa que compreendemos ao visitar uma escola pública é o nível de envolvimento da comunidade com suas unidades de ensino. Os empresários do bairro destinam suas doações à escola local e as reuniões do conselho escolar recebem a presença de toda comunidade, que compreende ser sócia da instituição. Como resultado, se observa uma grande participação popular, que permite uma incrível estrutura para os colégios.

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Legenda: Área de convivência da High School of Long Island

A prática esportiva é levada muito a sério, fazendo com que as crianças fiquem na escola o dia inteiro praticando esportes. Ficou mais fácil compreender porque os americanos lotam os ginásios para assistir jogos entre escolas. Porque a escola, mesmo que você não tenha filhos, é o símbolo sentimental e político de um bairro. A sensação de pertencimento começa no momento que você compra pão ou paga seu IPTU e vem destacado o imposto para o conselho escolar. Você sente que paga e por isso tem direitos sobre aquilo. Depois, com reuniões abertas e democráticas, a comunidade escolhe quem devem ser os diretores e superintendentes das escolas. Bom lembrar que os conselheiros escolares são voluntários e, mesmo tendo uma grande importância na vida da comunidade, fazem este trabalho pela satisfação de servir, sem interesses financeiros ou políticos.

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Legenda: Quadra esportiva da Grand Island High School

Assim, o grande orgulho de uma comunidade organizada é ver os filhos de pobres e ricos estudarem juntos. Contudo, comunidades desunidas, terminam tendo escolas mais fracas. Ficou muito claro, depois de visitar algumas unidades de ensino e de falar com alunos, que está na educação o grande calo do desenvolvimento brasileiro. Já sabemos que o nosso problema não está na falta de recursos, pois nossas escolas públicas custam em média o mesmo que as boas escolas privadas, cerca de 700 reais por aluno. Então, como avançar?

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Legenda: Falando de Pernambuco em sala de aula

Precisamos acabar com essas megaestruturas das secretarias e ministérios de educação. Educação não pode se misturar com política. Dá arrepios ver, Brasil afora, a educação dos filhos dos outros serem entregues a indicados políticos. Imaginem quanto dinheiro se perde na educação brasileira com os comissionados e com a estrutura burocrática. Verdade que temos diretores eleitos em várias cidades, contudo eles ficam amarrados a uma administração politizada, qualifica seus recursos e capacidade de atuação. Também, precisamos criar identidade entre as comunidades e suas escolas, permitindo a arrecadação e voluntariado. Foi muito bonito ver nas escolas um exemplo de democracia direta com o povo – e só ele – fazendo o destino dos seus filhos acontecerem.

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Legenda: Biblioteca de escolas públicas. Parece com as nossas?