Daniel debate o Recife na JC/CBN 
Foto: Leo Motta/Levay Photos

O candidato da coligação Renova Recife (PSDB/PPS/PTdoB) a prefeito do Recife, Daniel Coelho, concedeu entrevista, nesta segunda-feira, à Rádio JC/CBN, onde foi sabatinado pelos jornalistas Aldo Vilela, Ciro Rocha e Jamildo Melo. Ao longo da conversa, Daniel falou sobre diversos temas questionados. Acompanhe os principais trechos da entrevista.

MOMENTO DA CAMPANHA
"A gente tem o primeiro momento de eleição, que é colocar a campanha na rua, ter a oportunidade de estar fazendo caminhada, falando com as pessoas, mas a repercussão desse momento em si é muito frágil. As pessoas estão avaliando, conhecendo os candidatos. Não tem como haver solidez no voto que está hoje apresentado, pois é um voto que está muito mais ligado ao recall de quem já disputou eleições passadas ou à propaganda de rua, a uma placa ou uma bandeira. E isso não tem solidez. Na sua grande maioria, a população ainda não conhece de verdade o que representa cada candidatura, quais são suas propostas e a gente sabe que realmente a grande maioria do povo vai ser atingido pelo guia eleitoral e pelos debates televisivos. A gente tem terça (dia 21) que vem o início do guia eleitoral, na segunda o primeiro debate na televisão, então aí sim as pessoas vão começar a formar uma opinião a respeito dessa eleição. Ainda há uma confusão muito grande, não há ainda a compreensão do que representam as candidaturas de oposição, as candidaturas de continuidade, isso vai ficar mais claro com o aprofundamento do debate. Uma avaliação dessa eleição eu acho que pode ser feita depois de 15 dias de guia eleitoral. Esse é o prazo que a gente está dando pra avaliar o cenário."

RECEPTIVIDADE
"Nossa avaliação do início da campanha é de uma receptividade muito boa para o nosso projeto. As pessoas querem mudança e renovação. Na sua grande maioria não há vontade de continuar com a gestão de João da Costa ou com esse projeto político que aí está. Realmente a vontade é de mudança e quando as pessoas perceberem onde é que está a mudança real, a gente vai ter adesão, apoio, vai receber votos desses eleitores do Recife que é a grande maioria e rejeita o formato de administrar do atual prefeito e do seu grupo político."

PLANEJAMENTO
"Neste início de campanha estamos conseguindo o resultado dentro do nosso planejamento. Não há planejamento de ter em intenção de voto um crescimento antes da campanha em si, dos debates, da televisão. Tem um crescimento que está acontecendo na campanha do PSB, mas é natural pelo volume de recursos. É dinheiro, é muita placa na rua, mas não é um voto cristalizado ou consolidado. As pessoas não estão votando porque viram muita placa. Isso pode dar um recall, uma intenção de voto muito frágil. Não quer dizer absolutamente nada. Com a maioria da população conhecendo o nosso projeto, tenho certeza de que a gente vai crescer."

CENÁRIO
"O que a gente tem hoje é um cenário em que ninguém é dono do voto. Eu não vejo esse cenário onde um candidato tem um terço dos votos da cidade, isso não é uma situação real. Pesquisa é um instrumento científico, importante, mas nesse momento ela mostra um quadro em que uma pessoa é forçada a pensar numa coisa em que ela não está pensando. Você chega pra um eleitor e estimula ele a dizer em quem vai votar, mas o eleitor não está pensando ainda em quem vai votar. Ele sabe que vai vir um guia eleitoral, vão vir os debates e aí ele vai decidir. Esse é um cenário em que ninguém é dono do voto ainda. Vamos discutir a cidade, vamos mostrar de forma clara que nós representamos um rompimento com esse formato de política que aí está. Há 50 anos que o Recife é governado pelos mesmos grupos políticos, as mesmas pessoas. Hoje, estão aí divididos entre os outros palanques, mas são as mesmas pessoas, as mesmas práticas. Não há nenhum rompimento com as práticas políticas com as candidaturas que estão postas e nós queremos representar um rompimento em relação a isso."

CANDIDATURAS IGUAIS "Você tem duas candidaturas no campo do governo que claramente representam uma continuidade no formato de governar do governo João da Costa, do governo PSB/PT. Então isso também não está claro para o eleitor, como é que você pode representar mudança, renovação, se você faz parte do governo, inclusive tendo o apoio explícito do atual mandatário. Então, isso não está claro. O eleitor vai perceber aos poucos quais são as candidaturas de continuidade e aqueles que quiserem dar continuidade ao projeto João da Costa vão ter duas opções para escolher. Mas quem tiver querendo uma mudança, um rompimento com esse formato de fazer política, vai identificar claramente no nosso projeto uma opção."

ESTRATÉGIA PARA O GUIA
"No nosso guia, vamos mostrar os problemas, porque eles foram causados, e as soluções. Vamos ter a oportunidade de colocar as nossas propostas, mas é importante que se diferencie porque é que nos temos as condições políticas para colocar em prática o que a gente propõe e porque eles não têm. Por exemplo: eu agora vejo todos os candidatos falando de calçadas como prioridade. Isso é um discurso que eu faço desde o ano de 2005. Desde que estreei na Câmara eu faço uma crítica veemente pelo esquecimento da questão das calçadas, porque aí é que começa a mobilidade na cidade. E aí eu vejo candidato do PSB e do PT falar em prioridade pra calçada. Você tem que ter um mínimo de "semancol". Como é que você promete exatamente aquilo que você não fez? Porque foi inaugurado agora pelo governo PSB/PT o viaduto Capitão Temudo e, por mais que a oposição tenha alertado, o viaduto foi feito sem calçada e sem ciclovia. Ele agora diz que vai fazer, quer dizer, tudo o que não fizeram até hoje eles vão fazer? Então a gente fica realmente com a necessidade de mostrar não só as nossas propostas, mas também que eles também não fizeram, que a culpa também é deles. Como é que quem causa o problema quer ser agora a solução?"

PREFEITO BIÔNICO
"Se (o senador Aécio Neves) vier será muito bem-vindo, mas esse não é o foco de nossa campanha. O apoio dele ou de qualquer outra liderança do PSDB é muito bem-vinda, a gente quer apoio. Mas esse não é o foco da eleição. Na verdade, esse é o problema dessa eleição. Há quatro anos, o Recife elegeu um prefeito indicado. Prefeito biônico, indicado por presidente, por governador, por ex-prefeito. A cidade não pode repetir esse erro. O tempo da ditadura militar acabou, quando governador indicava prefeito. Agora quem tem que indicar o prefeito é a população, a sociedade. O apoio de uma liderança nacional é importante, mas não é o foco. Precisamos discutir a cidade, saber que quando passa a eleição presidente vai cuidar do Brasil, governador vai cuidar do Estado e quem fica governando é o prefeito eleito. Já basta o desastre dos últimos quatro anos, a gente não pode mais ter o risco de ter outro prefeito biônico nessa cidade."

  • Daniel Coelho 45 : Renova Recife - PSDB, PTdoB, PPS - Cnpj: 16.161.389/0001-97