Carta aberta sobre a manifestação no Recife. 

Estou na militância política há mais de 10 anos. Sempre na contramão das velhas práticas. Diferentemente da maioria, nunca aceitei aderir a governos para obter vantagens. Num cenário onde poucos permanecem na oposição defendendo a população, nós aqui continuamos. Temos sofrido pressões e perseguições dos donos do poder, mas isso nunca nos fez fraquejar. Talvez por isso tantos amigos e simpatizantes têm cobrando nossa presença no protesto desta quinta feira.



Posso dizer que estou entusiasmado com tudo que tem acontecido no Brasil. Deixando de lado um pequeno número de baderneiros, que tentam estragar um momento histórico, vejo a juventude querendo dar seu recado. Nesta ultima década, às vezes tive a sensação de estar solitário, pois em alguns momentos, ao cobrar atitudes do governo, parecia estar falando num deserto. Como sou movido por princípios e convicções, nunca perdi a esperança. Ver agora, sem partidos, sem instrumentalização, a sociedade fazer essas cobranças, isso faz me sentir de alma lavada.



Contudo, queria explicar aos amigos e simpatizantes que, em respeito a esse momento, estarei de alma e coração nas ruas nesta quinta feira. Mas, com uma ponta de tristeza, não estarei lá fisicamente. Não quero deixar margens para que alguns pensem que queremos nos aproveitar ou nos apropriar desse movimento. Sua legitimidade está na ausência de líderes, não são partidos, sindicatos, nem qualquer outro tipo de movimento social organizado que está à frente disto. É a democracia direta acontecendo.

Os que acompanham nossa vida pública sabem que temos defendido as mesmas bandeiras e lutas dos manifestantes. Mas não queremos monopolizar esses temas. Muito pelo contrário, quero, à cada dia, ver mais pessoas pensando na mesma direção. Espero que o movimento continue firme, sem violência ou radicalismos, fazendo o Brasil acordar. Enquanto a violência é burra, a não violência é imbatível. Foi assim com Gandhi, com Martin Luther King e com Mandela. E assim sempre será. Sucesso ao Brasil e a Pernambuco neste momento.

Um abraço.

Daniel Coelho